Foi ontem a noite. Começou as 19h em ponto. Terminou próximo da meia-noite. Uma movimentada audiência pública, requerida pelo Clube de Mães do Bairro Cristal. 25 pessoas diferentes se pronunciaram, entre vereadores, representantes de associações de bairro, não só da zona sul, como do centro e zona norte. Moradores também tiveram a oportunidade de expor suas opiniões sobre o Projeto Pontal do Estaleiro.
Mas algo inusitado aconteceu no Plenário Otávio Rocha na noite de ontem: o projeto, empreendimento polêmico que deverá ser construído na área pertencente anteriormente a massa falida do antigo Estaleiro Só, e então ha algum tempo, leiloada, foi defendido por muitas pessoas, que compareceram ao plenário da câmara com cartazes com slogans como "Se dependesse de alguns, Porto Alegre seria só mato". Normalmente, neste tipo de audiência o que se observa é justamente o poder público "contra" os ambientalistas. Ontem a noite, eles estiveram presentes com suas faixas pagas pelos sócios das entidades. Mas não estavam sozinhos. |
Entre as pessoas presentes que defenderam o Projeto, mais especificamente, defendem uma nova postura em relação a arquitetura, ao turismo e a orla da cidade assim como às regras impostas pelo difícil plano diretor, estão representantes de sites e fóruns sobre urbanismo e arquitetura. O site Porto Imagem, maior banco de imagens da cidade atualmente, compareceu com 4 integrantes, todos apaixonados pela cidade, e com anseios referentes ao desenvolvimento da capital gaúcha. Devemos proteger o que naquela região ? Os ratos e cobras do terreno abandonado do antigo Estaleiro Só ? A cidade quase nao tem contato com sua orla, pois se desenvolveu nas últimas décadas, de costas para o Lago Guaíba. Agora, surge uma grande oportunidade de conseguirmos visualizar o Lago e uma linda paisagem, com infra-estrutura para apreciar um dos mais belo pores-de-sol do mundo. O Pontal do Estaleiro.
O que queremos com isso ? Queremos que a cidade deixe de se tornar provinciana ao extremo, que cresça com qualidade, com ousadia, com arquitetura de vanguarda mundial e com atrações turísticas de peso. Muitas cidades brasileiras estão ultrapassando Porto Alegre em várias áreas. E não queremos isso, queremos uma Porto Alegre moderna, e não com ruínas. A cidade possui mais de 70 Km de orla, sendo poucos aproveitados pela população. O bairro Cristal, que atualmente se modifica com a construção do maior shopping center do Rio Grande do Sul, sequer consegue chegar até a orla. Ou por uma favela que impede, ou pelos clubes náuticos, ou por diversos fatores. O Cristal é um bairro que se localiza na orla mas não tem contato com ela. O Pontal do Estaleiro vai reestabelecer este contato que ha décadas foi perdido.
Queremos também que Porto Alegre volte a ter atrações turísticas, construindo-as ou melhorando as atuais, como outras cidades vêm fazendo Brasil afora. O mundo se moderniza, para que o turismo tenha participação substancial no PIB. Porto Alegre, da mesma forma, não pode ficar estagnada, parada no tempo, tendo como opções turísticas somente o Brique da Redenção (cheio de mendigos) e a Usina do Gasômetro. Temos que desenvolver sob pena de a cidade virar uma terra de ninguém, sem turismo. O Museu Iberê Camargo, o BarraShoppingSul (explêndido empreendimento que inaugura em outubro ao lado do Jóquei) são exemplos do que está acontecendo no bairro Cristal. O Museu coloca Porto Alegre no mapa mundial da arquitetura, o BarraShoppingSul consolida a cidade como grande centro comercial brasileiro e o Pontal do Estaleiro vem para trazer o contato com o Lago, com o Pôr-do-Sol. Esta e outras opções vindouras farão com que Porto Alegre caminhe em direção ao futuro, em direção ao desenvolvimento.
O Projeto é magnífico, tem extremo bom gosto, ousadia e luxo.
Conheça-o !
Obs.: O projeto de lei que trata do Pontal do Estaleiro é subscrito por 17 vereadores e propõe a revitalização urbana da orla do Guaíba, em trecho localizado na Unidade de Estruturação Urbana (UEU) 4036. Conforme o texto, o projeto para o Pontal do Estaleiro - também conhecido como Ponta do Melo - é classificado como empreendimento de impacto de segundo nível por sua proposta de valorização dos visuais urbanos e da atração turística pelas atividades previstas.
Gilberto Simon
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