O primeiro passo para a construção do conjunto arquitetônico projetado por Niemeyer, que abrigará acervos de Vargas, Jango e Brizola, foi dado ontem com doação de terreno pela prefeitura
A capital gaúcha deu mais um passo em direção ao memorial trabalhista - conjunto arquitetônico projetado por Oscar Niemeyer em homenagem a Getúlio Vargas, João Goulart e Leonel Brizola. No Paço Municipal, o prefeito José Fogaça sancionou ontem a doação do terreno para a obra. O empreendimento cultural reunirá acervos que desvelam a história pessoal e política do trio em uma área de 2,3 hectares às margens do Guaíba.
Além da relevância histórica de perpetuar na Capital os documentos referentes a Vargas, Jango e Brizola, o projeto tem a simpatia da prefeitura por ser a oportunidade de Porto Alegre contar com uma obra de Niemeyer, que completou cem anos em dezembro de 2007. Para Fogaça, o conjunto será mais uma atração turística a valorizar a orla do Guaíba.
- A cidade concede um de seus espaços mais nobres para homenagear nomes, valores e elementos históricos que precisam ser permanentemente resgatados - comentou.
O projeto foi concebido por Niemeyer em 2005 e, como é próprio de sua arquitetura, promete surpreender. Ao longo da Avenida Edvaldo Pereira Paiva, três bustos de bronze, cada um com três metros de altura, disputarão a atenção de motoristas e pedestres que passarem pela via. A idéia é utilizar a área como um pequeno parque, sem acesso a automóveis, valorizando a vista e privilegiando as visitas a pé. Os bustos serão sustentados por bases de concreto branco, em formato oval, com 375 metros quadrados de área interna cada um. Por dentro, as estruturas abrigarão objetos pessoais e documentos históricos dos homenageados - no estilo do Memorial JK, erguido em Brasília para resgatar a figura do ex-presidente Juscelino Kubitschek. Por sugestão do arquiteto carioca, o conjunto em homenagem aos trabalhistas gaúchos ganhou o nome de Caminho da Soberania.
Apesar da doação do terreno, um longo e difícil trajeto separa os traços criativos da prancheta de Niemeyer da paisagem porto-alegrense. Segundo o presidente do conselho diretor da Fundação Caminho da Soberania, deputado federal Vieira da Cunha (PDT), a obra ainda não tem sequer um orçamento. A fundação, responsável por tocar o memorial, depende da conclusão do projeto de iluminação para avaliar quanto vai custar erguer as estruturas.
- Depois do orçamento, vamos procurar enquadrar o projeto nas leis de incentivo à cultura, tanto estaduais quanto federais. Só depois vamos poder partir para a captação de recursos - afirma Vieira.
O deputado não arrisca uma data para a finalização da obra, por temer "frustrar expectativas":
- É difícil prever porque a gente não domina esses prazos relativos ao financiamento da cultura. Variam muito e dependem de fatores alheios a nossa vontade.