Sob os arcos
rosa, eu lembro a poética
De quem foi um dia um passarinho...
Em brisa, a poesia chega-me na estética
Dessa morada de uma alma em caminho.
Nas vozes que hoje andam sobre a calçada,
Eu escuto longe os versos de um poeta maior...
Sem métrica, regras ou forma, na rua sonhada,
Paira o som de um canto-poema que o sei de cor.
Cada passante pressente a falta da esquina
Que se desdobrava ao sol em prosa e versos,
Quando as manhãs vadias escreviam uma quina
Sobre as ruas indormidas em sonos dispersos.
As pedras revivem os ecos dos seus passos
E da sua alma que andou em longos caminhos.
Sem marcas, seu rastro ainda voa nos espaços,
Entre as pás dos cata-ventos e os burburinhos.
Atrás das janelas, amadas esperam, escondidas,
Que o ônibus, amante no ventre, cruze a cidade,
Esquecendo ansioso das outras tantas avenidas,
E estacione em frente ao portão da sua saudade.
Silêncio...alongam-se as sombras encantadas,
Engolem outra sombra que sorri simplicidade...
Some o vulto...dormem as noites dispersadas...
Mapa vazio...uma ave voou para a eternidade.
"Moro em mim mesmo" - disse o poeta-passarinho
Ah! Agora, lá no céu, ele é seu próprio
ninho.