Ah,
quem me dera, se criança eu ainda fosse
Para rolar na grama, e correr na Redenção
Comer pipoca do tio, e pedir algodão doce
E no calor matar a sede com Minuano limão...
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Ah, quem me dera, voltar a ser piazinho
E chamar os meus amigos para poder organizar
O verdadeiro clássico, um grenalzinho do campinho
1x0, 1x1, num joguinho difícil de se ganhar...
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Ah, quem me dera, crescer novamente devagarinho
E aproveitar mais o tempo, quando ele rapidamente passar
E assim poder gazear a aula de sábado do Julinho
Para ir ao cinema Imperial, só para poder namorar...
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Ou quem sabe tomar meu chimarrão lá na Usina
Vendo o Cisne Branco pelo Rio Guaíba cruzar
E sorrir para aquela tão bela menina
A qual um dia eu sonhei em me casar...
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Talvez me encontrar na Alfândega com Quintana
E em seus versos, poder no infinitamente viajar
Relembrando Porto Alegre numa planície verde e plana
Onde o vento nunca deixará de soprar...
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É meu Portinho mais alegre, na subida do bonde
Quem me dera, se no tempo pudesse voltar
E com meus amigos brincar de esconde-esconde
Depois comer pêssegos na Vila Nova em meio ao pomar...
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E ficar com dor de barriga e tomar chá de erva cidreira
Para depois de melhor, o tema ter que estudar
Amanhã tem aula às 7:00, e a serração
é costumeira
E sopra o Minuano pela orelha, com aquele frio de rachar...
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Mas a primavera chega, e com elas as flores em botão
Fazendo-me lembrar dos Ipês da Bonifácio em flores azuis
Onde em meio à calçada brincávamos de rolar pião
Para depois ir jogar bola, no estádio do Força e Luz...
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Ah, quem mera, viver há este momento nostálgico
Para no natal, olhar os brinquedos na vitrine da Incosul
Ir num circo no Marinha, bater palmas para o mágico
E ler Érico Veríssimo, para relembrar os caminhos do
sul...
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Ou assistir no Jornal do Almoço o Celestino Valenzuela
E ver na Tv gaúcha a festa da uva em televisão colorida
Ouvir na Rádio Guaíba, o Correspondente Renner abrir
sua janela
Noticiando coisas em que até Deus duvida...
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Meu Portinho mais Alegre, tu fazes parte de meu coração
E quem me dera voltar no tempo, nesta infinita saudade
Para brincar em Ipanema, e ver o por de sol na Assunção
Vendo os pássaros no teu horizonte, em eterna liberdade...