Os pets também podem sofrer de epilepsia, uma condição que provoca perdas momentâneas do controle da coordenação e movimentos involuntários. Diretora do Hospital Veterinário Pet Care (São Paulo/SP), a médica veterinária Carla Alice Berl responde as dúvidas mais frequentes a respeito do tema.
1. O que é?
Epilepsia é uma excessiva descarga de energia elétrica nas células do cérebro, pois elas funcionam com impulsos elétricos. A epilepsia manifesta-se quando o animal tem entre seis meses e cinco anos de idade, variando de animal para animal em frequência e intensidade. É relativamente comum nos cães e muito menos frequente nos gatos, aparecendo de forma repentina.
2. Como é uma convulsão?
São contrações musculares bruscas e involuntárias que raramente duram mais que cinco minutos, mas, às vezes, o proprietário tem a impressão que duram mais.
- Antes de ter o episódio convulsivo, durante aproximadamente um minuto, o animal se mostra ansioso, carente, pode se esconder e suas pupilas ficam dilatadas.
- Durante a convulsão, ele pode urinar ou defecar, perdendo ou não a consciência, salivar, ter movimentos de pedalar ou estender as patas, rotacionar os olhos.
- Após a convulsão, pode haver um estado de confusão mental, respiração rápida e, às vezes, fraqueza.
3. Como agir se o animal está convulsionando?
- Remova todos os objetos de perto do animal para que ele não se machuque.
- Tenha cuidado, pois, mesmo que seja dócil, o animal pode morder involuntariamente durante as convulsões.
- Na medida do possível, mantenha a calma, pois os animais se prejudicam com a agitação no ambiente.
- Depois de finalizada a convulsão, propicie um ambiente tranquilo para que ele se recupere.
- Uma vez que a medicação demora de 20 a 30 minutos para começar a agir, não há sucesso em tentar medicar o animal em casa durante a crise.
4. Quais os riscos que o animal corre?
- Os cães não correm risco de enrolarem a língua e morrerem asfixiados, pois sua anatomia muscular é diferente da humana.
- Existe um estado clínico que se chama status epilepticus, caracterizado por várias convulsões sucessivas. É uma emergência médica, e o animal deve ser levado imediatamente ao médico veterinário, pois isto pode ser fatal.
5. Por que o animal tem convulsão?
A exata causa não se sabe, mas, em muitos casos, esta condição é hereditária, aparecendo em quase todas as raças de cães. Trabalhos científicos indicam que de 0,5% a 5% da população canina apresenta sinais de epilepsia durante a vida. Além da epilepsia, outras doenças podem dar convulsões.
6. Há tratamento?
É importante ficar claro que o tratamento para a epilepsia não cura, mas controla o aparecimento das convulsões em frequência, intensidade e duração.
- O fenobarbital (Gardenal®) controla convulsões em 80% dos cães epiléticos.
- São necessários de 8 a 18 dias de tratamento para que esta droga atinja uma concentração ideal no sangue, portanto, seja paciente, tendo consciência que, no início, as convulsões podem não cessar – é uma fase de adaptação.
- Ainda que pouco observados, há alguns efeitos colaterais do uso prolongado do fenobarbital: principalmente acometimento do fígado e aumento de peso.
- Não deixe de dar o fenobarbital repentinamente e se certifique de que está fornecendo corretamente, pois o animal pode expelir discretamente o comprimido. A interrupção repentina do tratamento pode acentuar as convulsões.
- Além de medicação, alguns proprietários optam por tratamento conjunto com vitaminas e acupuntura.
7. Como deve ser o acompanhamento veterinário?
Periodicamente, devem ser feitos testes para avaliar como está o fígado e se a quantidade do medicamento no sangue está adequada. Com o tempo, pode ser necessário aumentar a dose da medicação, pois o organismo pode desenvolver certa tolerância – talvez seja necessário aumentar a dose ou trocar o medicamento, mas só o médico veterinário pode fazer isso.
Alguns anestésicos, como acepromazina e quetamina, não podem ser usados em animais predispostos a terem convulsões. Evite situações de estresse e fique atento se elas forem inevitáveis, como fogos de artifício e visitas em casa.
Fonte: Hospital Veterinário Pet Care (www.petcare.com.br)
Vera Creitchmann
Snif Pet
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