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AS DOENÇAS PSICOLÓGICAS DOS CÃES
 

Desde que os bichos foram domesticados, isto há 12.000 anos, sua ligação com o homem vem se aperfeiçoando. O afeto foi se modelando ao longo dos séculos, conforme o avanço no mundo e os laços que nos ligam a cães e gatos e mais do que nunca de uns anos pra cá, os cavalos também, continua a remodelá-los. De certa forma, gatos e cachorros já galgaram um lugar privilegiado nas considerações morais das pessoas. A morte de um bicho amado começa a cerca de cerimônias, sejam elas enterrando em cemitérios de animais, ou até cremando-os. Uma pesquisa revela este comportamento ao mostrar que até mais do que amizade, os nossos bichinhos são vistos como filhos na maioria dos lares. Mas como todas as relações baseadas na emoção, essa não está livre das crises. Os donos muitas vezes não sabem impor limites, visto que tudo é baseado nas emoções, de cada dono. Assim como os pais com filhos adolescentes revoltados, rebeldes.

Foi por causa de problema, que os veterinários, adestradores especializados em lidar com cães e gatos neuróticos, entraram no mercado para ajudar e amenizar este comportamento.
Muitos dizem que pessoas que antes tinham uma vida mais simples, menos corrida, e passaram a integrar a vida globalizada gravitando em torno da “modernização” celulares, Ipods, Iphones, web cam, TVs de bolso, computadores e por ai vai, passaram também a integrar o rol das neuroses, escravos do relógio, dos compromissos.

a disciplina dos bichos, seja ela reforçada por meios punitivos ou positivos, tornou-se questão urgente dentro dos lares. Tanto quanto nossos adolescentes rebeldes, eles precisam de limites. Isto tudo significa que o cães ou gatos são o espelho do dono. Quem diz isso é o mexicano César Millan, um adestrador que entende a linguagem deles e nos ensina como lidar. Ele conta que os cães dependem de comida que lhes damos, porém nós desenvolvemos uma dependência emocional em relação a eles. Diz mais, que a raiz dos problemas de relacionamento entre os humanos e os cães é a dificuldade que temos de entender como os cães vêem o mundo. Os cães não fazem distinção entre um mendigo e o presidente da república. Eles são preparados pra seguir um líder, e na “nossa” relação o que vale são os sinais de afirmação ou vacilo de quem deveria assumir o papel de líder. É mais ou menos como que, se na falta do chefe do bando, o mais forte assume seu lugar.

Um exemplo de que há problemas graves no trato animal, é que no ambiente natural - sem interação do homem - estes animais não desenvolvem problemas comportamentais. Não se vêem elefantes neuróticos, e também se aplica aos lobos, aos cães selvagens das savanas africanas e até cães de rua. Os cães tornam-se problemáticos porque seus donos, em geral, não suprem sua necessidade de disciplina, exercícios regulares e desafios mentais. A conseqüência da negligência é a agressividade fora de controle do cão. Há também a ansiedade na separação dos donos, os distúrbios alimentares, ataques de pânico. Todos estes comportamentos por mais esdrúxulos que possam parecer, levam-os a sofrerem.

Algumas dicas de especialistas para que se impeça que seu cão vire um líder:

- O cão não deve ganhar nada de graça.
O humano deve exigir que o bicho realize tarefas em troca de presentes, como sentar-se e dar a pata

- O cão não deve ter acesso irrestrito aos móveis e cômodos da casa.
Numa matilha, só o líder pode ocupar certos espaços

- O cão só deve passar pelas portas depois do dono.
Só o líder tem a primazia de ir à frente.
Cada passagem – seja a porta da rua, seja a do elevador – fornece uma chance perfeita de mostrar quem é o maioral.

- Quem decide o trajeto não é o cachorro, pois aos olhos do animal, humanos que se deixam conduzir são comparados a cães submissos e que se deixam dominar. O truque é parar e mudar de direção toda vez que se cão se exceder.

Para pensar:

O filósofo australiano Peter Singer defende a igualdade plena de direitos entre homens e animais. Para ele, o especismo – idéia de que seres humanos são superiores aos demais seres – é uma forma de discriminação tão sustentável quanto o racismo

Fonte: Revista Veja –Editora Abril

 

Vera Creitchmann
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Porto Alegre, 25 de Janeiro de 2010.

 
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