PORTO IMAGEM  
......... portoimagem .........
Início
A Cidade
Fotografia
Informações
Entretenimento
Poesia
Colunistas
Videos
Links
 
 
 
 
spacer
 

ruipizzato@brazservice.com.br

   
 
O GATILHO
 

É a peça mais importante de uma arma, não importando o calibre ou o grau de sofisticação. Sejam armas simples ou com lunetas telescópicas, raios infravermelhos ou sensores de calor. Só tem sentido quando alguém aciona o gatilho.

Depois de acionado, impossível correr atrás do projétil. Este pode realizar um grande ou um pequeno estrago. Mas o mal já está feito.

Não estou falando de ações policiais. Não estou tampouco falando da necessidade de defender a própria vida.

Estou falando via metáfora como eu gosto de usar, por que atinge mais rapidamente a compreensão e principalmente por que fica mais tempo gravado no nosso cérebro.

O gatilho a que me refiro é a nossa língua, e o projétil é a palavra (no caso palavras) mencionada. As expressões faciais e o tom da voz de quem profere as palavras contribuem para o tamanho do estrago.

Mas a pergunta que vem ao caso é forte. Que fatos ocorreram para que o gatilho tenha sido acionado? Num bate-papo, normalmente a conversa inicia num tom normal e de repente algo surge e a agressão verbal inicia. Ou então, um fato foi, por uma das pessoas percebido, e causou um desconforto. As primeiras palavras já surgem com tom agressivo. No ponto de vista de uma delas, o fato foi o gatilho. No ponto de vista da outra, a agressão verbal foi o gatilho para o bate-boca. O que o artigo quer chamar a atenção do leitor é primeiro passo: o primeiro gatilho. O que provocou o incidente.

As circunstâncias são diversas. Entre casais, familiares, no ambiente de trabalho ou mesmo no trânsito. Certamente as palavras proferidas serão diferentes para cada caso, mas via de regra, as expressões faciais e o tom de voz serão os mesmos.

O âmago da questão desse artigo é a pergunta que cada um deve fazer a si próprio: o que aconteceu para que o gatilho tenha sido acionado? E o porquê. Foi consciente ou inconsciente? Que fatos determinaram o acúmulo da pressão para essa peça fosse acionada? Que lembranças vieram à tona para que o comportamento fosse alterado?

Sempre existem, podem crer. Os leitores poderão dizer: eu acionei o gatilho por que tinha motivos e razões suficientes para tal. “Eu estava certo naquele momento”. Será, pergunto eu?

A experiência diz que mesmo com “a certeza do momento”, o estrago deve ser consertado. Culpas, arrependimentos, mágoas, pedidos de desculpas normalmente ocorrem depois desses episódios.

Infelizmente, novos gatilhos serão acionados ou os mesmos serão repetidos. Seja qual for a via que surgir à sua frente, a pergunta será sempre a mesma: por quê?

Enquanto as causas não forem esclarecidas, não saberemos dominar os gatilhos das armas que cada um de nós carrega. Só o autoconhecimento nos ensina a descobrir os verdadeiros gatilhos da vida. Basta querer.

 

Rui Carlos Pizzato

E-mail: ruipizzato@brazservice.com.br

 


Porto Alegre, 26 de Junho de 2010.

OUTROS ARTIGOS DE RUI PIZZATO
 
27/04/2010
  O UMBIGO
22/03/2010
  VOLTA MEU FILHO
25/01/2010
  A CULTURA DO FEEDBACK
20/12/2009
  A TEORIA DOS ESPAÇOS VAZIOS
30/11/2009
  A ERA RENÉ DESCARTES ESTÁ MORRENDO
15/11/2009
  AS DIFICULDADES DA COMUNICAÇÃO
30/10/2009
  O TRIPÉ DA MUDANÇA
 
 

Rui Carlos Pizzato - Engenheiro Mecânico, 66 anos, executivo de empresas, apaixonado pelo comportamento humano e palestrante. Autor do livro "Fábrica de Sonhos", Editora Nova Prova - Livraria Sulina.

 
  Home