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A ERA RENÉ DESCARTES ESTÁ MORRENDO
 

Felizmente a era cartesiana está chegando ao fim. O tempo do racional, do sim ou não, do preto ou branco, do tudo ou nada está desaparecendo.

René Descartes foi filósofo, cientista e matemático. Nasceu em 1596 na cidade de La Haye (hoje Descartes). Ficou famoso pela frase: “Penso, logo existo” e pelo “Discurso Sobre o Método”, que segundo ele, para que um raciocínio fosse considerado correto, nunca deveria ser aceito como verdadeiro se não pudesse ser visto claro e distintamente como tal.

As quatro regras do Discurso Sobre o Método causaram uma revolução no mundo ocidental e persistem até hoje. Está impregnada no nosso DNA.

Felizmente, embora numa velocidade baixa, o logicismo racional está cedendo espaço ao emocional. Cada vez menos em QI – quociente de inteligência – mas sim em QE – quociente emocional.

 
RENÉ DESCARTES

Grandes empresas, como a Disney, contratam seus colaboradores mais pelos aspectos comportamentais e pelas atitudes, do que pelos conhecimentos técnicos. Estes podem ser qualificados, treinados como se dizia até pouco tempo atrás. Por que esta grande mudança?. Porque as atitudes e o comportamento que determinado número de colaboradores possui são muito mais difíceis de serem modificados do que o status quo do seu conhecimento técnico.

A grande palavra do momento é, pois, mudança. Vou repetir, a grande palavra do momento é mudança. Ela é o gerador, o agente de transformação, a grande arma de gerenciamento do sucesso. Somente ela é capaz de transformar pessoas a se voltarem para entender e sentir o cliente. A grande maioria dos técnicos, dos racionais, onde incluo os engenheiros e economistas com suas derivações, não sabem desempenhar este papel. Não porque não o queiram. Simplesmente porque não podem. Foram treinados para tratar com máquinas, objetos e números. Não com pessoas. O poder da decisão racional é mais lógico e mais fácil. Está no manual? Está no regulamento? Segue a linha matemática da visão científica? A resposta é, portanto, sim ou não. Não surge ou não pode surgir na cabeça destes a contestação. Eles não querem abrir mão desse poder de decisão, pois está intrinsecamente ligado à sua natureza. Não existindo mais este poder, a insegurança toma conta do seu ser. É uma questão de sobrevivência. É querer trocar seu sangue por outro de natureza desconhecida. É perder a base de raciocínio que norteia sua vida. Não pode ser abandonado.

O mundo está mudando, e a base cartesiana está afundando. Os homens – falando em entes masculinos – também recebem respingos deste fundamento. As mulheres estão crescendo, tomando corpo em todas as funções, em todos os aspectos. Estão ocupando um espaço vazio imenso que lhes foi deixado. Cabe a elas a maior parte das decisões da nossa vida, seja em aspectos importantes ou mesmo nos quotidianos, outrora exclusivos do homem. Por quê?

Elas possuem o dom natural da emoção, do sentir, do feeling. O carinho, a atenção, o afago é mais natural para elas do que para nós. Poucos pais adultos beijam seus filhos homens adultos. Este é apenas um ponto para confirmar o que está sendo dito aqui. Vivemos a época da atenção. A da comunicação já passou, e não demos conta disso. Precisamos prestar atenção a tudo. Queremos atenção de todos. As mulheres sabem fazer isto como ninguém. O cliente quer atenção, quer carinho, quer afago, quer ser bem tratado.

E o que isto tem a ver com a fase cartesiana? Por que o comportamento se sobrepõe ao sim ou não. Aliás não existe mais o sim ou não. Não existe mais o certo ou errado. O que se menciona hoje em dia é: depende. E para entender este “depende”, precisamos ser capazes de sentir o que está por trás das palavras proferidas, dos gestos mostrados. Precisamos decodificar estes sinais verbais e físicos em uma linguagem que só o coração entende. Quem conseguir este feito será um vencedor. Não importa sua condição social ou sua profissão. Poder atender o cliente entregando o produto ou o serviço que ele deseja com carinho e com afeto, é a maior propaganda que podemos fazer. E custa tão pouco.

Chefes, executivos, diretores, líderes em geral, dêem valor aos colaboradores que possuem estas características, esta bela qualidade de saberem o que é comportamento humano. Estes sabem trabalhar em equipe. Estas pessoas saberão sentir o cliente e estarão sendo direcionados ao foco que todo empresário deseja: o resultado. Os técnicos e os chatos ficarão contabilizando o número de vezes que alguém acertou as regras do manual. O caixa baixo, o resultado negativo não está no manual, portanto “não é comigo”. Eu fiz tudo direitinho...


Rui Carlos Pizzato

E-mail: ruipizzato@brazservice.com.br


Porto Alegre, 30 de Novembro de 2009.

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Rui Carlos Pizzato - Engenheiro Mecânico, 66 anos, executivo de empresas, apaixonado pelo comportamento humano e palestrante. Autor do livro "Fábrica de Sonhos", Editora Nova Prova - Livraria Sulina.

 
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