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Ricardo Zanella
   
 
O ANFITEATRO E A MALDIÇÃO DO GUAÍBA
   

O ano começou quente em Porto Alegre. Além dos recordes nos termômetros, que na quarta-feira, 3 de fevereiro, chegou à incrível marca dos 41ºC elevando a sensação térmica para os 44ºC, o calendário de eventos da cidade também andou movimentado.

No primeiro mês do ano a capital recebeu a edição comemorativa dos 10 anos do Fórum Social Mundial. Segundo a organização foram 35 mil participantes divididos pelas sete cidades gaúchas que acolheram o evento.

Também em janeiro o mega show do Metallica reuniu cerca de 20 mil pessoas. Há mais de dez anos sem vir ao Brasil a banda trouxe a Porto Alegre a turnê “World Magnetic Tour”, divulgando seu último álbum lançado em 2008, “Death Magnetic”.

O calendário de shows de 2010, que já contou com No Fun At All e Cramberries, também apresenta NOFX, Guns N’ Roses, Dream Theater, Franz Ferdinand, Social Distortion, Goran Bregovic e Wedding and Funeral Orchestra entre os que ainda virão. São inúmeras apresentações que prometem agitar a capital e, ao mesmo tempo, expor um problema crônico da cidade: a carência por bons locais de apresentação.

O recente show do Metallica teve que ser transferido de lugar como medida preventiva pela produção do evento. O antigo local, o estádio do Zequinha com capacidade para 15 mil pessoas, estava em débito com uma série de documentação para funcionamento. A alternativa foi transferir a apresentação para o Parque Condor que carece de infra-estatura e é mal localizado. O episódio contou ainda com um vídeo polêmico feito pela produção do evento considerado desrespeitoso com o publico do show.

Dos outros eventos já citados a maioria será no Pepsi On Stage com capacidade para cerca de oito mil pessoas. O Gigantinho, com ocupação de 15 mil, é conhecido pela acústica ruim. Em maio do ano passado o guitarrista do Oasis Noel Gallagher estampou as capas dos jornais no Brasil, e principalmente de Porto Alegre, ao reclamar da turnê brasileira. Em sua opinião, “um show em um palco desmontável em um estacionamento nunca vai ser comparável ao barulho e cores de um estádio”. E estava certo! O Gigantinho até pode não ser um estacionamento, mas shows internacionais merecem um lugar a altura. Lugar este que Porto Alegre não tem.

Uma solução seria o Anfiteatro Pôr-do-Sol.

Em localização privilegiada e podendo acolher a incrível marca de 50 mil pessoas, o local nunca teve seu potencial completamente aproveitado.

O palco possui uma estética bastante ‘discutível’ – para dizer o mínimo.

 

ANFITEATRO POR-DO-SOL - FOTO: ANDERSON VAZ
Anfiteatro Pôr-do-Sol em foto de Anderson Vaz

Ideias não faltam para revitalizar a área e proporcionar maior conforto ao público, no entanto, o que em qualquer lugar poderia ser considerável uma benção, por aqui é maldição: o Anfiteatro está na orla do Guaíba. Sendo assim, infelizmente qualquer alternativa de reforma e mudança significa bater de frente com uma parcela da população bastante barulhenta. Vide o Pontal do Estaleiro e o projeto do Cais Mauá, que ainda engatinha.

São oportunidades que Porto Alegre perde por se atrelar ao passado, o que em muitas outras cidades não significa atraso.

 

Jonathas Costa

E-mail: jonathas.costa@ymail.com

 


Porto Alegre, 08 de Fevereiro de 2010.

 
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Jonathas Costa é porto-alegrense, acadêmico de Jornalismo da PUCRS e atualmente trabalha com assessoria de imprensa na Assembleia Legislativa. Morou um ano em Florianópolis e aprendeu que urbanismo é indispensável para a vida de uma cidade. Em terras gaúchas torce para que o pensamento provinciano de uma minoria barulhenta seja exportado para bem longe dos pampas e faz do seu jornalismo uma ferramenta para tal.
 
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