Dia desses participei de uma exposição fotográfica pelo aniversário de um pub voltado ao público GLBT em Porto Alegre, onde dez pessoas foram escolhidas para representar os 10 anos da casa. Situação rara aqui na capital gaúcha de uma casa manter-se por tanto tempo. Ainda não entendi bem se falta público ou se as que surgem, e logo fecham, não correspondem às expectativas da clientela gaúcha.
Em se tratando de boates, temos 3 apenas e uma delas, com mais de 2 décadas de existência, parece não ser a preferida do público, mas mantém-se até hoje em funcionamento. Excetuando-se outras que têm uma proposta mais alternativa, tipo final de noite, normalmente pela região do centro da cidade.
No que se refere aos bares, muitos deles duram pouco, pecam por algumas coisas e não cativam os porto-alegrenses. Este que completou 10 anos é uma exceção, onde de segunda à sábado tem uma programação variada e atrai o público, muito mais que outros, inclusive sendo referência para turistas.
A questão é que a noite porto-alegrense, contrário senso, por ser capital, não oferece muita variedade e qualidade em se tratando de casa noturna GLBT.
Normalmente recebo ligações no meu celular, procurando por um bar que já não existe desde 2006. Um erro num determinado site ainda mantém o tal bar em atividade e o meu número e nome como referência. Explico que o bar já não mais existe e dou algumas dicas, meio que envergonhadamente e, também, me colocando na situação de um turista que chega procurando diversão e esbarra na limitação de uma cidade como Porto Alegre. Frustração total.
Engraçado como o seguimento GLBT evolui no mundo inteiro e aqui ainda engatinha no que se refere a este filão do mercado. Falta público ? Poder aquisitivo ? Bons investidores no que toca ao capital e bom gosto ?
Quando fui sócio de um bar na Cidade Baixa, que também durou menos de um ano, talvez as pessoas o frequentassem por me conhecerem, um bar voltado ao público feminino, com videokê e música ao vivo. Até hoje encontro gente que pergunta dele ou então as mais informadas lamentam e sugerem que eu abra novamente algum outro bar. Se o mesmo público que hoje me pergunta como está o bar dizendo que é muito bom, sequer sabendo que fechou há quase 3 anos, realmente o freqüentassem, talvez ainda estivesse aberto.
O fato é que Porto Alegre carece de mais locais voltados ao público GLBT, com segurança, bom atendimento, programação atrativa e diferenciada e preço condizente, para que possamos ter mais opções na noite e não precisemos nos deslocar para outros estados ou países para saciar o desejo de freqüentar lugares interessantes...
Dimi Aguiar
E-mail: dimitri.aguiar@hotmail.com
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