Para que isto aconteça, é preciso que o poder público tome a iniciativa de alavancar um grande projeto de pintar a cidade de ponta a ponta, do centro à periferia, de norte a sul, de leste a oeste, podendo começar em uma determinada região. Poder-se-ia começar pelo trecho da escadaria da Rua 24 de Maio, na qual já temos o Caminho das Pedras e que recentemente foi remodelada pelo Poder Público. Um exemplo leva a outro.
Insisto porém, que é a Prefeitura que tem que ter a ousadia e a capacidade de articular este projeto, fazendo com que se convençam os moradores da cidade a embelezar a sua casa, o seu apartamento, o seu edifício. É preciso chamar todas as entidades da sociedade civil que possam trabalhar nessa perspectiva: Sindicato da Habitação e a Associação Gaúcha das Empresas do Mercado Imobiliário (Secovi/Agademi) - que representam todo o setor imobiliário da cidade - deveriam ser instigados pela Prefeitura a assumir com o Sindicato dos Lojistas do Comércio (Sindilojas), a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), a Associação dos Comerciantes de Materiais de Construção (Acomac), a Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul) e a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) o processo de campanha pública de tornar Porto Alegre a cidade multicolorida.
O Poder Público Municipal deverá ir ao encontro do Governo do Estado, através da Secretaria de Fazenda, para negociar pagamento alongado do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de empresas que vendam tintas, lajotas, material de construção, durante certo espaço de tempo, que poderá ser renovado na medida em que o comerciante tem que ter um incentivo para vender mais barato, abrindo possibilidades reais de compra por parte do consumidor. Então caberia uma negociação não apenas para o comércio local que vende, mas também as fábricas de tintas, para que durante um determinado tempo tenham preço rebaixado ao extremo.
Penso também que a prefeitura poderia dar um incentivo de Imposto Sobre Serviços (ISS) aos prestadores de serviço, para que pudessem empregar um número cada vez mais significativo de pintores, restauradores, reformadores, trabalhadores das áreas mais diversas da construção civil para esse tipo de ação do chamado Pinta Porto Alegre.
O projeto se constitui numa marca que está num processo de registro que fornecerei, gratuitamente, ao Poder Público Municipal para ser usado com todos os materiais que farão parte desse plano numa efetiva campanha de conscientização e mobilização da sociedade civil para que se tome a iniciativa de Porto Alegre se transformar nesta cidade multicolorida. Agregado ao processo de pintar as edificações e dar colorido as coisas da capital, estamos propondo renovação do mobiliário urbano, pintura e cuidado dos seus viadutos, passagens de nível, cordões de meio fio, e, evidentemente, a pintura das faixas de segurança, hoje Porto Alegre é uma das cidades mais mal sinalizadas que conheço. Tudo isso comporá um novo quadro de embelezamento da nossa cidade.
Também vamos sugerir que Porto Alegre seja a cidade das flores. Somos a capital com o maior consumor per capita de flores do país, um bom motivo para fazer florescer canteiros, jardins, praças e parques.
Além disso, se quisemos ser a cidade exemplo para a Copa de 2014 é preciso este conjunto de ações de embelezamento, tornando-a um grande atrativo estético. Por isso, defendemos que Porto Alegre continue sendo a capital do verde, para isso incentivando o plantio de flores, folhagens e arbustos ao longo das avenidas, praças, parques, jardins, verdes e flores em edificações, como temos visto em Valparaíso, Barcelona e outros cidades que poderiam nos servir de inspiração. Não se trata de copiar, mas de buscar alento e exemplo numa vizinha Nova Petrópolis (RS). Precisamos ter, cada vez mais, uma cidade arborizada, não qualquer árvore como, infelizmente, alguns fizeram nas suas gestões em Porto Alegre, plantando árvores exóticas ou querendo conservá-las, quando essas detonam com as calçadas, atrapalham a circulação e a vida das pessoas. Deveriam ter sido repostas, e, portanto, devem ser repostas por árvores nativas, que não estraguem as calçadas, que dêem fácil acesso para pessoas, sombra e encantamento.

Fotos: Gilberto Simon |
Para compor esta cidade é necessário que haja a preservação, em primeiro lugar, do nosso patrimônio público, das paradas de ônibus, do patrimônio histórico, que sejam restauradas as nossas edificações que hoje não estão apenas cinzas, mas caindo aos pedaços. Porto Alegre será a cidade da cor, multicolorida. Verdes nas praças, nos morros, para compor uma paisagem cada vez mais bonita com o espelho d’água do Lago Guaíba.
Adeli Sell
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Adeli Sell - Nasceu às margens do Rio Atafona, distrito de São Bonifácio, município de Palhoça/SC, em 1953. Filho de pequenos agricultores, a terra teve e tem uma importância muito grande na sua formação. Em 1973, veio para Porto Alegre. Adotou a capital dos gaúchos e foi por ela adotado. Cursou Letras na UFRGS. Foi professor de vários Cursos de Inglês. Por nove anos, lecionou Literatura na Faculdade de Letras, em Osório, e foi livreiro por longos anos.
Foi fundador do PT no Rio Grande do Sul e membro da Executiva Estadual por 15 anos. Em 1996, elegeu-se vereador, reelegendo-se em 2000, 2004 e em 2008. Atualmente cumpre seu quarto mandato, sendo vice-presidente da Câmara e integrando a SEDECONDH.
Por 15 meses (2003 – 2004) foi Secretário da SMIC de Porto Alegre, onde desenvolveu uma metodologia de trabalho no combate à pirataria, ao contrabando e à falsificação, além de inovações na área do Licenciamento, no trato com os servidores públicos, em ousadas articulações e parcerias com iniciativa privada, inter e intragovernamental, além da geração de trabalho e renda. É casado com a advogada Rosangela Almeida. |